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Baby Steps

por Cláudia Matos Silva, em 23.03.14
O disco que oiço no carro "Sereia Louca" da mc Capicua, é uma mulher do norte, cuja tinta lhe salta da caneta para o papel em jeito de poesia pura. Já noutros cds assume que é pirosa, gosta de cor de rosa, como todas as mulheres quer ser diferente mas o seu sentido auto-crítico leva-a a períodos de muita instrospecção. São essas lutas diárias que quase todas as mulheres abraçam e digo abraçam porque às vezes revela inteligencia acolher bem os inimigos para lhes conhecer as fraquezas. Este salto foi em Corroios, Moinho de Maré, sitio que aconselho vivamente a visitarem. A canção da Capicua que toca no rádio "Alfazema" porque sou eu e todas as mulheres, representadas numa forma tão crua de ver o que não se alcança à vista desarmada. A Capicua canta, para espantar os males de alma, talentos desses eu não tenho, portanto vou pulando e reforço só um pouco mais a minha auto-estima. Baby steps...

 

'Alfazema'

 

Eu calo as palavras, poupo o vocabulário, é que
Pró meu silêncio ainda não há um dicionário
E eu não falo sem pensar e não quero pensar demais
Não espero interpretações ou traduções emocionais.
Como todas as mulheres quero sentir que sou diferente
Sou todo o cliché da vida toda pela frente.
Sou carente q.b. como um domingo persistente em que
Não sei porquê a gente tem olhar ausente.
Amiga como tu tenho medo da rejeição
Chorei deitada no chão, achei que era em vão e não
Havia solução a ferida ficaria aberta,
É certo que te marca mas não mata só desperta.
Também sou insegura ponho a lupa nos defeitos,
Tenho a fúria do espelho, muitas dúvidas no peito
Ás vezes não me valorizo, não grito quando é preciso
Não tenho juízo e vivo em função doutro indivíduo
Como tu não sou perfeita mas esse é o nosso carisma
E quem cisma e não respeita não consegue ver um cisne.
A beleza não se finge é aquilo que tu emanas, mana
Como uma esfinge fica sólida a uma deusa humana.
Somos assim cheias de contradições como as tradições
sem fim que nos atiram pra depois.
Vestem-nos de cor de rosa pra enfeitar um mundo que é cinzento,
Querem-te vistosa mas cagam em como estás por dentro
E não tens tempo pra te amares a ti
Tens de ser loira, boa, magra, sensual e com Q.I.
Claro que assim manter uma auto-estima dá muito trabalho.
Não sou a super-mulher e mando o mundo po caralho!
Carta fora do baralho mas serei dama de copas,
Serei rainha como tu um dia, topas?
E quando fraquejares vais repetir num sussurro
Aquilo que eu canto pra sorrir um dia escuro.

Refrão:
Eu cheiro a alfazema, eu sou poema
Eu sou aquela que tu querias ao teu lado no cinema...

 

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publicado às 09:18



Liberta, grita, vai salta

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